quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Informamos que a Nova Direção está tomando posse efetivamente (após os trâmites legais e econômicos) neste mês de Setembro.

Compõem a nova Direção:

Presidente - Mauricio F. Chemello
Vice-Presidente - Genaro Manea
Secretária - Emellen Kubiaki
Tesoureiro - Vinicius Mombach

Em breve teremos chamada para Novos Sócios e estaremos aptos a apresentar projetos para colocarmos juntos a AJL em ação.

Abraço a todos e obrigado pelo apoio.
Contamos com vocês para agir.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Caros associados,

infelizmente a Oficina de Haicai programada para este sábado foi cancelada.
Nos desculpamos com aqueles que já haviam se programado e agradecemos a compreensão. 

Tenham um ótimo final de semana!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

A AJL gostaria de convidar a todos a participar da Oficina de Haicai 
ministrado por Gabriela Silva que se realizará dia 30 de novembro, sábado, 
das 14:30 às 17 horas na Palavraria. 

A entrada é franca, mas as vagas são limitadas. 
Confirme sua participação (priscilameira@hotmail.it) traga seus amigos e familiares!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Convite Especial

Caros associados,
A diretoria da A J L tem o prazer de convidá-los para participar do bate-papo 

com o autor/diretor Pena Cabreira sobre seu curta metragem 
"A Maior Praia do Mundo", 


cujo material, somado ao que filmou nesse inverno,  

 formarão seu longa-metragem, "Abismo Horizontal". 
A apresentação será feita depois de nossa Assembleia, e será servido um 

brunch bem gostoso a todos. Sua participação é muito importante, fique a 

vontade para convidar seus amigos.
          Na Palavraria, dia 09 de novembro, sábado: Assembleia às 11h,                     Pena Cabreira ao meio-dia.
Contamos com sua presença!


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Boletim Informativo # 5 - Confiram as novidades e participem!

Boletim Informativo #5 - Outubro/2013

Caros associados, amigos, parceiros,
Confira as novidades da Associação Jovem Leitor e do universo literário. Boa leitura!

Eleição da nova tesoureira da AJL
No dia 14 de setembro, a diretoria da AJL se reuniu na Palavraria para eleger a nova tesoureira da entidade. Estiveram presentes a presidente Priscila Meira, o vice-presidente Ricardo Morales e a secretária Luiza Silva, além da ex-presidente Ayalla Aguiar, que está sempre engajada em nossas atividades, dando-nos seu apoio e energia.

A nova tesoureira da AJL é Cátia Simon, antiga associada e diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Gabriel Obino, de Porto Alegre. Seja bem-vinda à nossa diretoria, Cátia!

Nova assembleia
A AJL realizará nova assembleia de associados no dia 9 de novembro, às 11h, na Palavraria (Rua Vasco da Gama, 165 - Bom Fim). Após a reunião, haverá a projeção de um curta-metragem do diretor Pena Cabrera, seguida de bate-papo com o autor sobre a obra. Logo após, será servido um brunch aos associados presentes. Sua participação é muito importante: traga suas ideias, colabore com seus talentos, seu estímulo e contribuição ao trabalho que realizamos.

AJL na 6ª Feira fora da Feira
A AJL se reuniu com a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) para a programação da 6ª Feira fora da Feira, evento paralelo à Feira do Livro de Porto Alegre que visa apoiar comunidades para que tenham o estímulo à leitura entre seus objetivos culturais. A reunião, que foi muito estimulante e cheia de idealismo, contou com a presença de Jussara Rodrigues e Luciana Leão, da CRL; de Carlos Robério Garay Corrêa, coordenador de assessoria do Estado; e das lideranças dos Territórios de Paz das comunidades Rubem Berta, Restinga e Lomba do Pinheiro, onde são realizados projetos como Juventude Viva e Aluno Cidadão e onde serão realizadas atividades de leitura e conversa entre escritores e público.

As atividades da AJL na Feira fora da Feira acontecerão sempre aos sábados no período da Feira do Livro (1º a 17/11), com início às 15 horas. As autores convidados são Guilherme Giuliani (02/11), Cris Moreira (09/11) e Ayalla Aguiar (16/11). Na próxima edição do nosso informativo, divulgaremos os locais de cada bate-papo. Nessas ocasiões, também doaremos livros para as bibliotecas comunitárias, estes cedidos à AJL por nosso parceiro Instituto Estadual do Livro (IEL).

Se você tiver livros para doar, entre em contato conosco pelo e-mail jovemleitor@gmail.com ou em nossa página no Facebook: http://www.facebook.com/AssociacaoJovemLeitor

Aproveite para curtir nossa página no Facebook e para compartilhá-la com os seus amigos! Ajude-nos a divulgar o trabalho da AJL!

Oficina de Haicai
Esta você não pode perder: a AJL vai presentear seus associados, amigos e apoiadores com uma Oficina de Haicai! A atividade, que será gratuita, acontecerá no dia 30 de novembro, sábado, das 14h30 às 17h, na Palavraria (Vasco da Gama, 165).

A oficina será ministrada por Gabriela Silva, graduada em Letras (FAPA), especialista em Literatura Brasileira (PUCRS), especialista em Leitura: Teoria e Prática (FAPA), mestre em Teoria da Literatura (PUCRS) e doutoranda em Teoria da Literatura (PUCRS).

Aberta para pessoas de todas as idades, incluindo crianças a partir de 10 anos, a oficina tem o seguinte programa: A produção de haicais. A criação poética da modernidade.  O exercício da fragmentação da imagem. O minimalismo das formas poéticas e narrativas contemporâneas.

Convide seus amigos, seus filhos e participe!                 

Associe-se e traga novos associados para a AJL!
Ser associado da AJL é uma maneira de exercer sua responsabilidade social ao incentivar a formação de novos leitores, especialmente em comunidades carentes, por meio de iniciativas que promovem a leitura e a literatura.

Associe-se e convide seus amigos a se associarem também! Assim, você estará colaborando com a disseminação da leitura entre aqueles que têm menos chances do que nós.

Forma de pagamento:
·      Anuidade: R$ 120,00 | Semestralidade: R$ 60,00 | Mensalidade: R$ 10,00
·      Depósito: Banco do Brasil, agência 3536, conta 18475-6, CNPJ: 12.411.747/0001-11
·      Envie o comprovante de depósito para priscilameira@hotmail.it.

Radar literário

O projeto Leituras Feevale realiza o evento Contos da Vida Breve, em que o escritor Henrique Schneider lê 12 pequenos contos, antigos e novos, sobre temas variados. A cidade de Rio Grande recebe o evento no dia 19 de outubro, na Livraria Vanguarda Rio Grande, às 15h; no dia 24 de outubro é a vez de Porto Alegre, às 19h30, na Palavraria.

A 8ª Feira do Livro de Lajeado e o 1º Festival de Literatura Infantil, com o tema A leitura como fonte de prazer, acontecem de 8 a 13 de outubro no Parque Histórico de Lajeado. O patrono é Mário Pirata. Informações no Núcleo de Cultura da Univates: http://www.univates.br/nucleodecultura/.

Luís Augusto Fischer é o patrono da 59ª Feira do Livro de Porto Alegre. Escritor e professor da UFRGS, tem contos, crônicas e ensaios publicados.

Encerramos parabenizando Fernanda Vier, nossa associada e realizadora do boletim informativo da AJL, que em poucos dias dará à luz Anita, a quem damos as boas-vindas com este lindo poema de Carlos Drummond de Andrade:

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.


Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino feito grão de milho.

Contato




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Boletim Informativo #4 - Setembro/2013 
Caros associados, amigos, parceiros,
confira as novidades da Associação Jovem Leitor e do universo literário. Boa leitura! 
Assembleia para eleição do novo tesoureiro da AJL
A diretoria da Associação Jovem Leitor convoca seus associados para participarem da Assembleia Geral Extraordinária que elegerá o novo tesoureiro da entidade. A reunião será no dia 14 de setembro, às 11 horas, na Palavraria. Podem votar e ser votados todos os sócios quites com as contribuições, sendo que são elegíveis somente os que tiverem mais de um ano ininterrupto de inscrição no quadro social. Quem quiser aproveitar e atualizar sua contribuição, verifique os dados bancários mais abaixo neste e-mail.  
Flip 2013
A Associação Jovem Leitor esteve muito bem representada* na Flip 2013 - Festa Literária Internacional de Paraty, que aconteceu no início de julho em Paraty/RJ.  A presidente Priscila Meira, a ex-presidente Ayalla Aguiar e as associadas Cleonice Bourscheid e Eni Algayer prestigiaram a intensa programação deste que é um dos mais importantes eventos literários do país. 
Confira o depoimento de Priscila Meira sobre a Flip 2013:
“A Flip foi uma experiência inédita para mim, fiquei encantada com as possibilidades de participar de palestras tão interessantes com personagens tão influentes da literatura nacional e internacional. Uma atmosfera muito contagiante! Como presidente da AJL, serviu para motivar ainda mais o trabalho que realizamos na entidade. A ideia, agora, é tentar fazer um trabalho com nossos escritores, sócios da AJL, na Flip 2014. Quem sabe?” 
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*Todas as despesas de viagem e hospedagem foram custeadas pelas próprias associadas. 
Mais livros distribuídos na Redenção
No dia 11 de agosto a AJL voltou a distribuir livros no Parque da Redenção. Para muitos adultos e crianças que passaram pelo Jardim Oriental, foi uma oportunidade de começar uma nova leitura! Esta atividade tem o apoio do IEL – Instituto Estadual do Livro, que doou os livros à AJL. Agende-se para o próximo: 13 de outubro, a partir das 15h. Não esqueçam que a doação de livros é muito importante para a manutenção dos objetivos e atividades da AJL. Quem tiver, entre em contato: priscilameira@hotmail.it ou (51) 9346.4595
Feira fora da Feira
A presidente da AJL, Priscila Meira, reuniu-se no dia 20 de agosto com representantes da Câmara Riograndense do Livro para discutir a programação do Feira fora da Feira, que leva autores e artistas para as comunidades com o objetivo de popularizar a leitura e de facilitar o acesso aos livros. Este ano, o evento será realizado nos bairros Lomba do PinheiroRestinga e Rubem Berta, com atividades nos sábados durante a Feira do Livro (2, 9 e 16 de novembro). Agende-se e participe! 
Prêmio Aleph
A escritora Ayalla Aguiar, ex-presidente da AJL, foi a grande vencedora do Prêmio Aleph, promovido pela Oficina Literária Charles Kiefer, com o conto Uma estranha noite em Nice, ou Cannes, ou Cap Antibes, enfim, não importa.... A premiação foi realizada no dia 18 de agosto, no restaurante Copacabana. Leia o conto premiado no blog http://associacaojovemleitor.blogspot.com.br/. Parabéns, Ayalla! 
AJL no Colégio João Paulo I 
Representantes da AJL se reunirão em breve com a direção do Colégio João Paulo I para definir a participação da Associação no evento literário de primavera que será realizado neste mês. Aguarde as novidades!
Associe-se e traga novos associados para a AJL!
Ser associado da AJL é uma maneira de exercer sua responsabilidade social ao incentivar a formação de novos leitores, especialmente em comunidades carentes, por meio de iniciativas que promovem a leitura e a literatura.

Associe-se e convide seus amigos a se associarem também! Assim, você estará colaborando com a disseminação da leitura entre aqueles que têm menos chances do que nós.

Forma de pagamento:
·      Anuidade: R$ 120,00 | Semestralidade: R$ 60,00 | Mensalidade: R$ 10,00
·      Depósito: Banco do Brasil, agência 3536, conta 18475-6, CNPJ: 12.411.747/0001-11
·      Envie o comprovante de depósito para priscilameira@hotmail.it. 
Radar literário

Em agosto, nossa parceira Palavraria comemorou seu aniversário de 10 anos. Em nome dos associados da AJL, queremos parabenizar a livraria por sua maravilhosa trajetória cultural em nossa cidade. Parabéns!

E ainda falando em Palavraria, a programação de setembro está convidativa. Confira o que vem por aí em http://palavraria.wordpress.com/programacao-mensal-2013/.

Até 30 de setembro é possível se inscrever no 24º Concurso de Contos Paulo Leminski, que vai distribuir prêmios em dinheiro para os primeiros colocados. Mais informações em http://concursos-literarios.blogspot.com.br/2013/06/30092013-24-concurso-de-contos-paulo.html.

20º Concurso Histórias de Trabalho, promovido pela Coordenação do Livro e Literatura da Prefeitura de Porto Alegre, já tem seus autores selecionados. Eles vão fazer parte de uma coletânea que será lançada na Feira do Livro de 2013. Conheça os felizardos no link http://coordenacaodolivro.blogspot.com.br/2013/08/selecionados-historias-de-trabalho-2013.html
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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Conto vencedor do Prêmio Aleph!

Uma estranha noite em Nice, ou Cannes, ou Cap Antibes,
enfim, não importa...
                                                                                                           
  Ayalla de Aguiar

Jamais vira um orangotango em minha vida. Nem em circo. Nem em zoológico. Não saberia como me comportar diante de um. Era tarde da noite, foi tudo  meio que de repente. Eu estava sentada num banco, na pérgola da Promenade des Anglais (ou era na Croisette?) Não importa. Olhava o Mediterrâneo com o respeito religioso com que sempre olho para este mar interior, repositório e túmulo da caminhada da humanidade. Tudo o que se passou às suas margens, sobre suas águas, tudo o que jaz, ou jazeu, sob elas, nos diz respeito. Explica-nos.   Como somos, como nos desenvolvemos. Explica nosso caráter. A história, o mito, a lenda, as conquistas, as derrotas, os êxitos, os fracassos. O caráter do homem ocidental se gestou aqui, nas águas deste mar fechado em meio às terras. O Grande Azul.
Um dia, há muito tempo, eu jurara, sobre suas águas, e tendo-as por testemunho, que jamais alguém me haveria de humilhar. Mas isto é outra história.
Alguém sentou-se no banco, a meu lado,  trazendo-me de volta à superfície. Era um orangotango.
—“Chose étrange”— diria meu querido e saudoso professor.
Estávamos em Nice, ou Cannes, pouco importa, diante do Mediterrâneo. E o que se vê em Nice, ou em Cannes, não se discute. Viu, está visto. Existe. Se Ionesco pôde ver, por que não eu?
Era um orangotango, sentado a meu lado. E ele me perguntou:
— Madame, por favor, que horas são?
— São 9:15 – respondi.
— Da noite, quero crer?
— Sim, da noite. Não notou? Já está escurecendo.
— Nunca se sabe, madame. Nunca se sabe.
Falava francês com um sotaque estranho. E o que me chamou a atenção é que não era aquele sotaque típico africano: “c’est vrrai, c’est vrrai”.
Esse outro acento eu não conseguia distinguir. Fiquei curiosa. De onde teria saído o diabo deste orangotango com tal sotaque?  Eu tinha duas alternativas: ou me calava, ignorava a presença do orangotango e, discretamente, me afastava dali. Ou ficava. Fiquei. Para puxar o fio da meada e ver aonde ia dar tudo aquilo. Podia render uma boa história.  Estava um pouco insegura, não sabia por onde começar a conversa . Falar do tempo era muito óbvio. Resolvi arriscar. Puxei o fio da meada.
— O senhor não é daqui? – pergunta afirmativa.
— Claro que não, madame. A senhora há de convir que não se veem muitos como eu, neste país, fazendo turismo.
— Ah! O senhor viaja a turismo, não a negócios?
— Sim, digamos que sim.
— Bem, é que, atualmente, com o deslocamento das populações, vê-se de tudo. Quero dizer, muitos estrangeiros, das mais variadas etnias...
– Madame tem razão. Vê-se de tudo. Eu disse à minha mulher, antes de viajar: “Seu marido vai chamar atenção”.
É casado. Uma informação.
— Minha mulher e meus filhos nunca saíram das Ilhas Mauricio, onde vivemos.
– Interessante. O senhor é, pois, africano?
– Não exatamente, madame.  Somos indianos. De origem.  Meus antepassados se radicaram nas ilhas desde tempos imemoriais. Bem mais recentemente, por volta de 1500, fomos descobertos por navegadores portugueses, depois fomos colonizados por franceses, holandeses, ingleses. Hoje somos um Estado independente.
Este cara está me gozando. Quem foi descoberto em 1500, por portugueses, fomos nós. Onde será que ele quer chegar com esta conversa mole?
— E Madame, de onde vem? Do leste europeu?
Era a minha vez de tirar sarro (ainda se tira sarro?) da cara do sujeito. Está me achando com cara de romena? Albanesa?  Conversa chata, esta.
Respondi, educadamente:
— Não, cavalheiro, ao contrário. Eu venho do extremo ocidente.
Frisei a expressão.
— Interessante. Perdoe-me se não estou a alcançar a localização. Geograficamente, quero dizer.
— O extremo ocidente, acentuei –  é do outro lado do Atlântico, senhor.
— Interessante, muito interessante, repetia. É uma região de florestas, de grandes florestas. Meus antepassados eram seres de floresta... Interessante. Madame, tão civilizada, tão bem informada, parece um pouco surpresa por estar conversando com um estranho, e a estas horas.
— Pois não é? Meio tarde. Mas, como dizem na minha terra, se a prosa está boa a gente segue proseando.
Orango avaliava a minha condição de ser civilizado como se no extremo ocidente só houvesse, digamos, primatas. Eu já estava farta de, ao longo de minha vida, me desculpar, de explicar que no extremo ocidente  usávamos roupas, comíamos com talheres, íamos a universidades e conseguíamos falar mais de um idioma, além do nosso patuá nativo.
 Enfim, não importa. Conversamos sobre muitas outras coisas, a chamada conversa fiada, solta, sem comprometimento. O fio da meada, que eu pretendera puxar, não desenrolou muito além da superfície do novelo. E a mim já não me interessava saber-lhe vida, paixão e morte. As horas iam passando, frente ao Mediterrâneo. Agradáveis, horas plenas, e isso me bastava.
Quando Orango, discretamente, olhou seu relógio de pulso, um magnífico Rolex, na extremidade de seu longo braço, pensei comigo: Se ele tem relógio, por que perguntou-me as horas?
 Simulou, ou, realmente, sentiu um leve susto.
– Macacos me mordam!  São quase quatro da manhã. Como o tempo passou rápido. Hélas! Demasiado rápido, madame.  Se eu não correr perco meu voo para Stockholm. Désolé! Preciso voar para o aeroporto. Perdoe-me a pressa. Foi uma honra desfrutar de sua amável companhia nesta noite magnífica, mágica. Pelo menos para mim. Espero revê-la um dia, madame. Adeus!
Disse isso num francês fluente e impecável, sem sotaque, já em pé, acenando para um táxi.
Olhei as horas no meu relógio de camelô: três e cinquenta e cinco.  Na linha do horizonte, à minha esquerda, uma fímbria de claridade começava a se delinear. Algumas horas antes, poucas, eu vira o ocaso sobre o Mediterrâneo. Agora via o alvorecer. Imutável e perpétua marcha do tempo sobre o Grande Azul.
Levantei, dei uns passos para destravar as articulações, me espreguicei. O que se vê em Nice, ou em Cannes, não se discute. É real. Viu, está visto. Existe.

 Enfim, não importa.